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AMSOP debate futuro das Casas Familiar Rural


Postada em: 25/11/2016 às 16:32:56




Uma reunião de emergência foi convocada pela Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop) na manhã desta sexta-feira (25) para definir ações conjuntas sobre o futuro das Casas Familiar Rural (CFR) no Sudoeste. A medida se fez necessária em virtude da preocupação dos prefeitos e coordenadores das Casas Familiares, já que está na eminência das matrículas e até agora a Secretaria de Estado da Educação (SEED) não autorizou abertura de novas turmas. Nesse ritmo, há uma tendência de fechamento gradativo das Casas, já que não houve novas turmas no último ano letivo e grande maioria está com apenas a última turma (3º), e com poucos alunos.


Estiveram frente a frente prefeitos reeleitos e novos onde há CFR, direção e corpo técnico pedagógico dos Núcleos Regionais de Educação de Francisco Beltrão e Pato Branco, secretários municipais, coordenação da Arcafar/Sul (Associação Regional das Casas Familiares Rurais do Sul do Brasil), professores e servidores de Casas Familiar.


Propostas


Após apresentação de dados sobre a frequência inicial e término das turmas – menos de 50% concluem, - explanação do entendimento da SEED por parte do Núcleo de Educação, interpretação e angustia dos prefeitos, e versões dos representantes das Casas Familiar e Arcafar, grupo entende que momento é de fazer levantamento da demanda existente em cada município. Em paralelo abrir diálogo com a comunidade sobre a relevância ou não dos investimentos e se houver grande defesa retomar os debate com a SEED. Uma sugestão apresentada é a regionalização das Casas, com redução de unidades.


Até que se resolva o impasse, a chefe do NRE de Francisco Beltrão Márcia Boneti aconselhou para “que os pais efetivem as matrículas dos alunos nas escolas da rede estadual, no sistema normal, garantindo assim a vaga, e mantenham o nome do aluno na lista de espera nas Casas Familiar Rural. Assim o aluno não corre o risco de ficar desassistido até que se encontre uma solução”.


Posição SEED


De acordo com informações apresentadas pela direção e equipe pedagógica do NRE de Francisco Beltrão, as medidas da SEED se devem pelo baixo índice de alunos que iniciam o curso, e que é ainda menor na conclusão do terceiro ano. Levantamento apresentado mostra que nem mesmo a meta de 20 alunos iniciais estão sendo cumprido na grande maioria das escolas, e que para a conclusão do terceiro ano, em alguns casos, não chega a 30% do inicial. Para o Estado é um custo muito alto para poucos alunos. Ainda se questiona a qualidade de ensino de forma geral, a infraestrutura, a carência de profissionais e os resultados na prática com os formandos.


Preocupação dos prefeitos


Os prefeitos participantes não aceitam assumir mais custo além do que já vem cumprindo para manutenção do ensino, que é de competência do Estado. “Se tivermos que assumir mais o custo de técnicos nosso gasto vai dobrar. Fico preocupado porque a União e os Estados estão cortando tudo o que podem, e nós nos municípios que já pagamos além do que podemos, vamos aumentar nossas despesas? Vou convocar as entidades do município e temos que tomar uma decisão em conjunto”, desabafou o prefeito de Santa Isabel do Oeste, Moacir Fiamoncini.


Milton Andreolli, prefeito reeleito de Realeza defende a manutenção das Casas. “Nós nos comprometemos em manter a Casa Familiar e vamos fazer, mas o modelo tem que ser repensado, talvez com a união de municípios porque tá pesado sozinho”, afirmou.


Já o prefeito eleito de Pérola do Oeste, o engenheiro-agronômo Nilson Engels é mais crítico. “Vejo que as Casas Familiares perderam o foco. Os alunos não estão saindo preparados para fazer a transformação em suas propriedades. Hoje não se pode mais trabalhar com o mais ou menos. Tem que profissionalizar. Nós temos um grande desafio. Se manter a Casa somos criticados por não investir direito o dinheiro público. Se fechamos somos massacrados pelos pais desses alunos. Eu sou favorável desde que me traga bons resultados, do contrário não concordo”, salienta Engels.


O presidente da Amsop prefeito de Marmeleiro Luiz Bandeira reforça que o caso da unidade no município é preocupante. “A nossa escola, mantida em parceria com Renascença e Flor da Serra do Sul vive uma situação critica. Fui convidado para uma formatura no primeiro mandato, e depois não sei se teve. Hoje temos quatro ou cinco alunos. É difícil, não se sabe o que pode ser feito”, comentou Bandeira. A reunião também foi acompanhada pelo prefeito eleito de Marmeleiro Jaimir Gomes, e futuros secretários.


Também acompanharam o debate e manifestaram preocupação os prefeitos eleitos de Sulina Paulo Horn, e de Santo Antônio do Sudoeste Zelírio Ferrari. O prefeito reeleito de Bom Jesus do Sul Cesar Bueno esteve no encontro e se mostrou contrário a mais investimento. Informações repassadas pelo NRE de Pato Branco confirmam que o prefeito Augustinho Zucchi já teria suspendido o convênio com a Casa no município.


Casas


O coordenador da ArcafarSul Renato Patel defendeu a manutenção das Casas. “A nossa sugestão é manter as Casas onde existe curso técnico, e as demais se unir regionalmente”, frisou. No Sudoeste existem 16 CFR, sendo que destas 4 possuem o curso técnico (Santo Antonio do Sudoeste, Chopinzinho, São Jorge do Oeste e Coronel Vivida). As demais adotam o sistema de ensino médio com o emprego da metodologia da alternância.


 


Da Assessoria



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